Tireoidite de Hashimoto: entenda a condição autoimune que desacelera o organismo

A tireoide é uma glândula importante, que fica localizada na parte da frente do pescoço, responsável por diversas funções no organismo. Por isso, o mau funcionamento pode trazer consequências das mais variadas, como cansaço constante, sensibilidade ao frio, ganho de peso sem motivo aparente e até falha de memória. A principal responsável por esse desequilíbrio é a Tireoidite de Hashimoto.
A chamada tireoidite de Hashimoto é uma doença autoimune, ou seja, causada por uma falha do sistema de defesa do próprio corpo, que passa a produzir anticorpos que atacam a tireoide, causando uma inflamação na glândula. Com o passar do tempo, a tireoide vai perdendo a capacidade de produzir seus hormônios essenciais, levando ao quadro conhecido como hipotireoidismo (redução da atividade da tireoide). Como esses hormônios funcionam como o “combustível” que regula o ritmo de todo o corpo, a sua falta faz com que o organismo funcione de forma mais lenta.
Causas
Qualquer pessoa pode desenvolver a doença, mas ela é significativamente mais frequente em mulheres e em pessoas mais velhas. A origem exata da alteração ainda não é totalmente conhecida, mas a ciência aponta que a sua causa envolve a combinação de fatores genéticos com elementos do dia a dia. É bastante comum que pessoas diagnosticadas tenham parentes com problemas semelhantes na tireoide ou com outras condições autoimunes, como diabetes tipo 1 e lúpus.
Além disso, o iodo em excesso no corpo pode irritar a tireoide e disparar a reação do sistema de defesa em quem já tem predisposição, mesmo a substância sendo fundamental para o bom funcionamento da glândula. O iodo pode ser encontrado em alguns alimentos industrializados, embutidos e suplementos. Outros gatilhos ambientais apontados pelos especialistas incluem infecções virais ou bacterianas, o uso de determinados medicamentos e alterações hormonais ocorridas durante o período pós-parto.
Sintomas comuns
A doença costuma ter uma evolução bastante lenta e silenciosa. No início do processo inflamatório, a pessoa pode não sentir absolutamente nada. No entanto, conforme a produção de hormônios cai e a atividade da glândula diminui, os sinais começam a se manifestar de maneira gradual em todo o corpo. Os sintomas mais frequentes incluem cansaço excessivo e desânimo sem causa aparente, maior sensibilidade ao frio, pele seca, cabelos fracos e unhas quebradiças.
É comum também haver prisão de ventre, lentidão do raciocínio, falhas de memória, ganho leve de peso e inchaço no corpo. Além disso, a diminuição dos hormônios pode provocar alterações no ciclo menstrual, queda da libido e desaceleração dos batimentos cardíacos. Em alguns casos, a própria inflamação faz com que a glândula aumente de tamanho, formando um inchaço visível ou palpável na região da garganta, conhecido popularmente como bócio.
Diagnóstico e tratamento
O diagnóstico da condição é simples e baseia-se na consulta médica associada à realização de exames de sangue específicos. Por meio da dosagem hormonal de TSH e T4, o médico consegue identificar se a tireoide ainda está produzindo a quantidade adequada de hormônios para o organismo. A pesquisa também é capaz de identificar anticorpos antitireoide e confirma se o sistema imunológico é o responsável por atacar a glândula. Para complementar a avaliação, o profissional também pode realizar o exame físico no pescoço e solicitar uma ultrassonografia, que permite observar a textura interna da tireoide e checar a presença de eventuais caroços ou nódulos.
A tireoidite de Hashimoto em si não tem uma cura definitiva, mas o hipotireoidismo é totalmente controlável. O tratamento consiste na reposição hormonal diária, feita geralmente com um medicamento chamado levotiroxina. O paciente toma um comprimido todos os dias pela manhã, ainda em jejum, para repor exatamente a quantidade de hormônio que a glândula deixou de fabricar. Com o uso correto do remédio e o acompanhamento médico periódico para ajustar a dose ideal, todos os sintomas desaparecem e a pessoa consegue manter uma rotina e qualidade de vida perfeitamente normais.