Setembro Verde busca busca informar sobre o capacitismo e garantir autonomia, respeito e igualdade para todos

Dados do IBGE indicam que pessoas com deficiência (PcDs) têm menor acesso à educação, ao trabalho e à renda. Apenas um quarto (25,6%) dos portadores de deficiência concluíram o ensino médio, enquanto 57,3% das pessoas sem deficiência têm esse nível de escolaridade. Diante desse cenário, a campanha Setembro Verde chama a atenção para a inclusão de PcDs e a conquista de direitos dessas pessoas. A campanha também homenageia o Dia Nacional de Luta da Pessoa Portadora de Deficiência, instituído em 1982 e oficializado apenas em 2005, por meio da Lei nº 11.133.
Origem e importância
O dia 21 de setembro é o marco principal da campanha: o Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência. A cor verde foi adotada para a campanha de inclusão justamente pela associação com o Dia da Árvore, que cai na mesma data, simbolizando o florescimento e a esperança de ver os direitos das pessoas com deficiência se consolidarem.
Por muitas vezes, pessoas com deficiência são vistas como incapazes, inferiores, ou não são consideradas por políticas públicas, principalmente em relação à mobilidade, acessibilidade e educação. Por isso, a inclusão de PcDs é impedida em diversos espaços sociais, retirando dessas pessoas um pouco da sua dignidade.
Por isso, esse movimento tem um papel crucial na conscientização, estimulando ações práticas. Além de promover a acessibilidade e garantir que espaços públicos, transportes e serviços sejam acessíveis a todos, a campanha Setembro Verde busca educar a população sobre o capacitismo e suas diversas formas de manifestação.
Além disso, incentiva a inclusão no mercado de trabalho e defende a importância de políticas de contratação e adaptação do ambiente profissional. O Setembro Verde também traz a pauta da efetivação de políticas públicas que assegurem saúde, educação e bem-estar para a população com deficiência.
O capacitismo
O capacitismo é o preconceito e a discriminação contra pessoas com deficiência, colocando-as como sinônimo de inferioridade e desvalorizando suas capacidades, habilidades e autonomia. Esse comportamento, muitas vezes sutil e naturalizado, tem um impacto social devastador. Ao normalizar preconceitos, o capacitismo cria barreiras invisíveis que limitam a participação social, educacional e profissional.
O capacitismo pode surgir em piadas ofensivas, falta de acessibilidade em espaços e até mesmo na infantilização de pessoas adultas com deficiência. Existem várias formas desse preconceito se manifestar, como o capacitismo estrutural, que é a discriminação enraizada na sociedade, em leis, políticas, sistemas, instituições e na cultura social de modo geral.
O capacitismo institucional se manifesta em políticas, regras e estruturas de instituições (públicas e privadas) que perpetuam a exclusão e a desigualdade. Já capacitismo atitudinal, com crenças e atitudes preconceituosas que desvalorizam pessoas com deficiência, dentre outros, como o capacitismo médico, ou o capacitismo recreativo.