Luz azul de celulares e computadores pode afetar a pele e agravar o melasma

O uso exagerado de telas de dispositivos eletrônicos, como celulares, tablets, computadores e televisões, têm chamado a atenção para um fator invisível, mas presente na rotina diária: a luz azul. Emitida tanto pelo Sol quanto por lâmpadas e dispositivos eletrônicos, esse tipo de radiação tem sido amplamente investigado por dermatologistas devido aos seus efeitos na saúde da pele, especialmente na indução de manchas e no agravamento do melasma.
O que é o melasma e quais são suas causas?
O melasma é uma condição dermatológica caracterizada pelo aparecimento de manchas acastanhadas ou escuras, principalmente em áreas como bochechas, testa, nariz e buço, embora também possa surgir em locais fora do rosto. A hiperpigmentação é multifatorial e decorre de uma produção excessiva de melanina, o pigmento responsável por dar cor à pele. Entre as principais causas e fatores desencadeantes, destaca-se a predisposição genética familiar para o surgimento dessas alterações.
Somam-se a isso as influências hormonais, muito comuns durante a gravidez, no uso de anticoncepcionais orais ou em terapias de reposição hormonal. A exposição direta à radiação solar, por meio dos raios ultravioleta (UVA e UVB) e da luz visível, estimula de forma intensa as células produtoras de pigmento. Por fim, fatores ambientais como o estresse oxidativo, a poluição, o calor e a própria luz azul contribuem para a instabilidade pigmentar da pele.
Sinais e sintomas do melasma
Os sinais do melasma são eminentemente estéticos e visuais, sem a ocorrência de sintomas sistêmicos. O mais característico é o surgimento de manchas de tom castanho ou escuro, que apresentam formato irregular, porém com limites bem definidos. Essas marcas tendem a exibir uma distribuição simétrica, aparecendo frequentemente em ambos os lados da face. Vale ressaltar que a condição não causa dores, coceiras, ardor ou descamação na região afetada.
A luz azul e o melasma
A luz azul emitida por eletrônicos possui a capacidade de penetrar profundamente nas camadas da pele. Ao atingir níveis mais profundos, ela é capaz de estimular as células conhecidas como melanócitos, ativando a produção de melanina e resultando em hiperpigmentação.
Estudos recentes indicam que a luz solar é a fonte mais intensa de luz azul. No entanto, especialistas alertam que a exposição contínua e cumulativa às telas de computadores e smartphones também pode colaborar para acentuar manchas pré-existentes ou agravar quadros de melasma, principalmente em pessoas com tons de pele mais escuros.
Outras complicações
Além de causar hiperpigmentação e agravar o melasma, a luz vinda das telas pode desencadear outros prejuízos à pele. O principal deles é o envelhecimento precoce, também chamado de fotoenvelhecimento, já que a radiação estimula enzimas que degradam o colágeno e a elastina, além de aumentar a produção de radicais livres e acelerar o estresse oxidativo, favorecendo o aparecimento de rugas e a perda de firmeza. Pesquisas recentes investigam o papel da luz azul no estresse celular direto e no enfraquecimento gradual da barreira de proteção natural da pele.
Formas de tratamento e prevenção
Embora o melasma não tenha uma cura definitiva, ele pode ser controlado com um acompanhamento dermatológico adequado. Para a prevenção diária contra a luz azul e os raios solares, a principal indicação é o uso diário do protetor solar com cor. Diferente dos filtros tradicionais que protegem apenas contra os raios UVA e UVB, as versões com pigmento criam uma barreira física capaz de refletir a luz visível.
Para manter essa proteção efetiva, especialistas orientam a reaplicação constante do produto ao longo do dia, mesmo para quem permanece em ambientes fechados ou trabalha em escritório. Essa rotina pode ser combinada com o uso de agentes clareadores em cremes dermatológicos e antioxidantes orais ou tópicos, que ajudam a combater o estresse oxidativo. Por fim, procedimentos realizados em consultório, a exemplo de peelings químicos, microagulhamento e lasers específicos, auxiliam na remoção gradativa e no controle das manchas, devendo sempre ser indicados e acompanhados por um especialista.