Janeiro Roxo relembra a importância da conscientização sobre a hanseníase

Segundo a Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), o Brasil é o país das Américas com mais casos de hanseníase. Dados do órgão apontam que, em 2023, a doença foi identificada em 27 países e territórios americanos, sendo 92% dos casos (mais de 22 mil) no Brasil. Ainda cercada de estigmas, a hanseníase é uma doença que afeta principalmente a pele e nervos periféricos, mas que tem cura. Por isso, a campanha Janeiro Roxo relembra a necessidade do diagnóstico precoce e do tratamento, além da conscientização.

Conhecida nos tempos antigos como lepra, a hanseníase é causada pela bactéria Mycobacterium leprae, ou bacilo de Hansen, em homenagem ao médico norueguês Gerhard Armauer Hansen, que primeiro identificou o micro-organismo. O preconceito que envolve a doença existe porque, até a década de 1940, não existiam tratamentos eficazes. Assim, a infecção evoluía e trazia consequências mais graves, além do aumento da transmissão, que acontece por meio de secreções nasais e gotículas de saliva.

O tempo de incubação da bactéria depois do contágio varia de 6 meses a 10 anos, e os sintomas costumam aparecer de 5 a 7 anos depois do contato com o bacilo de Hansen. Os sinais mais característicos da hanseníase são manchas na pele e dormência ou fraqueza na área afetada. Em geral, a doença é dividida em dois tipos, de acordo com o número de lesões na pele: paucibacilar (com 5 lesões ou menos) e multibacilar (a partir de 6).

Sintomas e complicações

O primeiro tipo, conhecido também como hanseníase tuberculoide, é de menor gravidade. O principal sintoma são manchas mais claras na pele, com bordas nítidas e elevadas, mas sem coceira. A área das lesões também apresenta diminuição da sensibilidade, pelo comprometimento dos nervos.

Já a multibacilar, ou lepromatosa, é mais grave e pode afetar, além da pele, os rins, o nariz e os testículos. Os pacientes com esse tipo de hanseníase desenvolvem manchas, pápulas, nódulos e placas cutâneas, que desfiguram o rosto. O comprometimento dos nervos periféricos também é mais grave, causando dormência em mais áreas do corpo e fraqueza em certos grupos musculares.

Com o avanço da doença, podem surgir complicações como perda do tato, incluindo incapacidade de identificar dor e temperatura, podendo surgir ferimentos e queimaduras sem que a pessoa perceba. A fraqueza muscular pode ocasionar deformidades, como dedos da mão em garra. Outras partes do corpo podem ser afetadas, como pés (causando úlceras na planta do pé), nariz (congestão nasal crônica e sangramentos), olhos (glaucoma e cegueira), além de disfunção erétil e infertilidade em homens e insuficiência renal.

Diagnóstico e tratamento

O diagnóstico é feito por biópsias da pele e, quando realizado precocemente, permite um tratamento imediato, levando à redução do avanço da doença. A doença tem cura, se for tratada de maneira adequada. Para isso, são utilizados antibióticos, mas o tratamento pode durar até 1 ano. Ao iniciar o tratamento, o paciente deixa de transmitir a doença. Por esse motivo, é fundamental que a doença seja descoberta nos estágios iniciais e que o paciente não desista do tratamento. Caso a doença já esteja avançada, o paciente pode continuar com sequelas, mesmo depois da cura.

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