Estratégias emocionais e de enfrentamento podem auxiliar médicos e enfermeiros diante da exaustão

Em um relatório divulgado em 2021, pesquisadores da Fundação Getúlio Vargas mostram que 80% dos trabalhadores da área da saúde entrevistados para a pesquisa sentem impactos negativos na saúde mental causados pela pandemia, sendo que apenas 19% buscaram ajuda para lidar com o problema. Dentre eles, médicos e enfermeiros se destacam quando o assunto são cargas emocionais pesadas, tendo que lidar com a exaustão, escassez de recursos e até a morte de pacientes.
Estratégias emocionais e psicológicas
Para passar por esses desafios, esses profissionais adotam estratégias coletivas e individuais, como o suporte psicológico formal, o estabelecimento de limites profissionais, o fortalecimento do trabalho em equipe e a busca por manejo de estresse regulado, como o descanso adequado e a psicoterapia.
Ao reconhecer que a perda de pacientes causa dor legítima, por exemplo, o profissional evita o bloqueio emocional que gera adoecimento psíquico. Além disso, é importante buscar apoio e utilizar espaços de escuta terapêutica ou psicoterapia individual para processar traumas.
Enfrentamento da escassez e sobrecarga
Em uma situação de intensa sobrecarga, médicos e enfermeiros devem concentrar a energia técnica e afetiva naquilo que é possível fazer pelo paciente dentro das limitações estruturais. Separar a identidade pessoal do papel profissional, compreender que o limite do cuidado não representa um fracasso pessoal do cuidador e impor limites como esses são estratégias que ajudam o profissional a manter a calma e o foco no que é importante nesses momentos.
Nesses casos, também cabe lembrar do papel das diretrizes éticas e institucionais preestabelecidas para guiar decisões difíceis. Vale ainda exigir e utilizar canais de suporte oferecidos pelos serviços de saúde para remanejamento de cargas e pausas restauradoras.
Saúde física e mental
Além do apoio especializado, estratégias de cuidado com a saúde mental podem ser feitas dentro e fora do local de trabalho. É importante desenvolver hábitos fora do ambiente hospitalar, como exercícios físicos, hobbies e convívio social, que sinalizam ao cérebro o fim do estado de alerta. Guardar as horas de descanso para restaurar a capacidade de regulação emocional garante uma tomada de decisões seguras no trabalho e fora dele.
Lidar com a morte de algum paciente não é uma tarefa fácil, por isso a equipe médica pode adotar alguns costumes para trabalhar esse desafio nos profissionais. Reunir a equipe após óbitos complexos para expressar sentimentos e revisar condutas, realizar pequenos hábitos simbólicos para marcar o fim do turno e deixar o trabalho no hospital e buscar terapia individual ou grupos de apoio institucional como a psicologia hospitalar podem auxiliar nesses processos.