Entenda a bartolinite: inflamação frequente exige cuidado e atenção à saúde feminina

A saúde íntima feminina envolve estruturas delicadas e essenciais para o bem-estar cotidiano. Entre elas estão as glândulas de Bartholin, localizadas em cada lado da entrada da vagina, cuja função principal é secretar o fluido que auxilia na lubrificação. Quando o duto excretor de uma dessas glândulas sofre uma obstrução, o líquido fica retido, desencadeando um processo inflamatório conhecido como bartolinite.
Embora nem sempre cause grandes complicações nos estágios iniciais, a obstrução pode evoluir para a formação de cistos ou abscessos dolorosos, tornando atividades simples, como sentar, caminhar ou ter relações sexuais, extremamente desconfortáveis.
Causas
A bartolinite ocorre quando a abertura do duto da glândula é bloqueada, o que pode acontecer por irritações, lesões na região vulvar ou por infecções bacterianas. Entre os agentes causadores mais frequentes estão bactérias da flora intestinal e da pele, como a Escherichia coli, e agentes de Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs), com destaque para a Chlamydia trachomatis (clamídia) e a Neisseria gonorrhoeae (gonorreia).
É importante ressaltar que a bartolinite em si não é contagiosa, mas as infecções sexualmente transmissíveis que podem estar na origem da inflamação são transmissíveis. Além disso, a condição pode reaparecer no decorrer da vida.
Sintomas e diagnóstico
Nos estágios iniciais, quando há apenas a formação de um pequeno cisto sem infecção grave, a condição pode ser assintomática e passar despercebida. Contudo, quando o cisto se infecta e evolui para um abscesso (com acúmulo de pus), surgem sintomas agudos, como dor e sensibilidade acentuada na região vulvar (que pioram ao sentar, andar ou durante a relação sexual). Também são comuns inchaço, vermelhidão visível, calor local, presença de secreção purulenta e, em quadros mais avançados, febre e calafrios.
O diagnóstico da bartolinite é feito pelo ginecologista durante o exame físico da região íntima e anamnese. Para identificar o agente causador e guiar o tratamento adequado, o médico pode solicitar exames laboratoriais a partir da análise da secreção vaginal ou do fluido do abscesso, investigando a presença de ISTs. Em mulheres acima dos 40 anos ou na pós-menopausa, pode ser recomendada a realização de biópsia para descartar outras condições raras na região.
Tratamento
O tratamento varia de acordo com o tamanho do cisto, o grau de desconforto e a presença ou não de infecção. Em cistos pequenos e assintomáticos, banhos de assento com água morna costumam ser indicados para aliviar o desconforto e favorecer a drenagem espontânea. Caso haja infecção bacteriana confirmada ou abscesso, o uso de antibióticos, analgésicos ou anti-inflamatórios é prescrito pelo especialista.
Quando o abscesso é volumoso ou recorrente, pode ser necessária a drenagem cirúrgica no consultório ou hospital. Em casos mais graves ou recorrentes, realiza-se a marsupialização, técnica para criar uma pequena abertura permanente de drenagem, ou, raramente, a remoção completa da glândula.
Apesar de não haver uma forma de prevenir totalmente os casos de obstrução do duto, práticas de boa higiene íntima e o uso constante de preservativos durante as relações sexuais reduzem significativamente o risco de infecções por ISTs e contaminações bacterianas. Ao perceber qualquer nódulo ou desconforto na região vulvar, a orientação fundamental é buscar avaliação ginecológica.