Dormir mal pode prejudicar o sistema imunológico e favorecer o aparecimento de doenças

O sono é um fator fundamental para o funcionamento do organismo como um todo, desde funções cognitivas até fisiológicas. É durante uma boa noite de sono que o corpo limpa impurezas no cérebro, regula hormônios e realiza outras funções orgânicas. Por isso, dormir mal de maneira crônica traz graves consequências para a saúde. Entre os vários problemas envolvidos, está o impacto no sistema imunológico, pois as defesas do corpo têm relação direta com o sono reparador.
A relação entre dormir bem e o sistema imunológico é uma via de mão dupla. Quando o corpo está reagindo a uma doença, infecção ou lesão, isso pode afetar a qualidade do sono. Por outro lado, quando uma pessoa não dorme bem, seu sistema imunológico pode ficar desequilibrado e ineficiente. Como consequência, isso abre portas para que agentes infecciosos escapem das defesas do corpo, causando ou retardando a recuperação de doenças.
Ameaças às defesas do corpo
A privação crônica de sono faz com que o corpo produza menos anticorpos, que são justamente as substâncias que identificam invasores no organismo para serem destruídos. Alguns estudos sugerem que adultos que dormem por cinco horas ou menos de maneira frequente têm mais chances de desenvolver infecções respiratórias. Além disso, distúrbios do sono podem aumentar em 1,23 vezes a probabilidade de contrair o vírus da herpes zoster.
Não dormir o suficiente também aumenta a produção das chamadas citocinas, moléculas que ajudam a conduzir respostas inflamatórias em locais de infecção ou lesão, o que pode prejudicar a saúde. Em condições normais, uma inflamação surge como uma resposta do sistema imunológico para combater uma infecção ou lesão. Mas o aumento das citocinas gera um estado inflamatório crônico, aumentando o risco de doenças autoimunes (como artrite reumatoide), cardiometabólicas (como hipertensão e diabetes tipo 2) e neurodegenerativas (como esclerose múltipla e doença de Parkinson).
Até mesmo vacinas podem ter resultados abaixo do esperado em quem não dorme direito. Da mesma forma como o sono ajuda o cérebro a reter memórias, ele também fortalece a memória imunológica. As defesas do corpo precisam desse período de descanso para reconhecer e reagir a antígenos nocivos, inclusive os inativos que são introduzidos pela imunização. Por isso, dormir bem antes e depois de ser vacinado contra qualquer tipo de doença ajuda na eficácia do imunizante.
O risco de desenvolver câncer é outra preocupação entre quem não tem o costume de dormir bem. Uma noite mal dormida, com quatro horas ou menos, pode reduzir significativamente as atividades das chamadas células NK. Essas células, conhecidas como “natural killer”, são um tipo de glóbulo branco que ajuda a combater doenças como o câncer.
Uma boa noite de sono
Para dormir melhor, é fundamental adotar alguns hábitos, como a higiene do sono. Evitar telas cerca de duas horas antes de dormir, além de substâncias como cafeína e álcool, ajudam a chegar no sono profundo com mais facilidade. O ambiente de sono também deve ser adequado, com baixa luminosidade e temperatura e livre de distrações. Também é recomendável ter horários fixos para dormir e acordar, mesmo nos fins de semana, além de praticar atividades físicas.