Dor intensa, náuseas e má digestão podem indicar pancreatite

Chama-se de pancreatite a inflamação do pâncreas, glândula localizada atrás do estômago e junto ao duodeno, a parte alta do intestino delgado. O pâncreas é responsável por secretar enzimas digestivas para o intestino delgado através de um canal chamado de ducto pancreático, e liberar insulina e glucagón na corrente sanguínea. Esses hormônios ajudam o corpo a utilizar a glicose da alimentação para transformar em energia.
A pancreatite aguda aparece subitamente e varia de leve a grave. Esse quadro da doença dura de dias a poucas semanas, sem danos permanentes. Já a pancreatite crônica é quando a inflamação se torna persistente, causando dor abdominal de repetição e risco de diabetes por perda endócrina. Por fim, a pancreatite autoimune é a forma menos comum e está ligada à resposta imune, podendo simular tumor e responder a corticoide quando bem indicado.
Causas
O quadro da doença varia de acordo com o fator causador da doença. Dentre as causas mais comuns, estão cálculos biliares, álcool em excesso, altos níveis de triglicerídeos, procedimentos endoscópicos, alterações anatômicas, causas hereditárias e autoimunes, e tabagismo, que aumenta o risco e acelera a progressão para a forma crônica.
Sintomas
As fortes dores abdominais são o sintoma mais recorrente entre os pacientes, em alguns casos podendo irradiar para as costas e frequentemente acompanhada de náuseas e vômitos, piorando após as refeições. Em quadros mais intensos, surgem febre, icterícia, queda da pressão e cansaço extremo. A pancreatite aguda está fortemente associada a pedras na vesícula, enquanto a crônica pode ter relação com tendências hereditárias e ducto pancreático estreitado ou bloqueado por algum traumatismo ou formação de pseudocisto.
A pancreatite aguda geralmente começa com dor no abdômen superior, que pode durar por poucos dias. Outros sintomas incluem abdômen distendido e sensível, náuseas, vômitos e febre. Enquanto algumas pessoas não têm nenhuma dor, a maioria dos pacientes com pancreatite crônica têm dor abdominal, podendo ser pior ao beber ou comer, além de perda de peso e fezes gordurosas. A perda de peso ocorre porque o corpo não secreta enzimas pancreáticas suficientes para fazer a digestão dos alimentos, assim, os nutrientes não são absorvidos normalmente.
Tratamento
Se o paciente sentir dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes, pele e olhos amarelados, febre alta e tontura com sensação de desmaio, deve procurar a emergência imediatamente. Geralmente são realizados procedimentos como hidratação venosa, analgesia e oxigenação conforme necessidade, logo que se chega ao hospital.
Em casos de cálculo biliar, pode ser indicada colecistectomia após estabilização e, em casos com colangite ou obstrução, exames de imagem precoce. Além do controle da dor e da abstinência de álcool e cigarro, pode haver indicação de suplemento de enzimas pancreáticas para tratar má digestão e perda de peso, com acompanhamento nutricional.