Diagnóstico de morte cerebral conduz à decisão familiar sobre a captação e doação de órgãos

A morte encefálica (ME) é a completa e irreversível parada de todas as funções cerebrais, incluindo o tronco cerebral, que desempenha funções vitais como o controle da respiração. Ainda que haja batimentos cardíacos, o paciente com morte cerebral não pode respirar sem os aparelhos e o coração não baterá por mais que algumas horas. Por isso, a morte encefálica já caracteriza o óbito do indivíduo.

No Brasil, o diagnóstico de morte encefálica é realizado por meio de um protocolo estabelecido por lei, em que são realizados vários exames do doente por pelo menos dois médicos diferentes. Além disso, este protocolo brasileiro exige a realização do exame complementar, sendo doppler transcraniano (DTC) ou eletroencefalograma, por outro médico. Após a realização dos três exames confirmatórios, o diagnóstico de morte encefálica é realizado, declarando legalmente o óbito do paciente.

A doação de órgãos

A partir do diagnóstico, a família será acionada para que o médico comunique oficialmente a conclusão do protocolo de morte encefálica. Assim, ficará a critério da família a decisão a ser tomada, como suspender a terapia intensiva e entregar o corpo para dar seguimento ao velório, ou consentir doação de órgãos e tecidos, dando continuidade nos procedimentos para realizar a cirurgia de extração dos órgãos.

É fundamental que os órgãos sejam aproveitados para a doação enquanto ainda há circulação sanguínea irrigando-os. Se o coração parar, só poderão ser doadas as córneas do paciente. Os órgãos doados vão para quem aguarda em fila de transplantes para ser chamado pela Central de Transplantes, que realiza a distribuição dos órgãos doados, através do sistema seguindo os critérios de compatibilidade, urgência ou posição da fila.

Podem ser doadores pessoas de 1 a 80 anos, desde que estejam em condições para tal, segundo análise médica. Apesar disso, nem todos estão aptos à doação e cada caso é avaliado pela equipe médica. Para que a doação seja consentida no Brasil, basta que o paciente tenha expressado em vida o desejo de ser doador. E a autorização será consentida por parentes de até 2º grau, documentada pelo Termo de Consentimento de Doação dos Órgãos. Após a morte, o paciente pode doar órgãos como córneas, coração, pulmões, rins, fígado, pâncreas, ossos, medula óssea, pele e válvulas cardíacas.

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