Chips da beleza: implantes hormonais causam riscos à saúde por combinações de esteroides e anabolizantes no corpo

No fim de 2024, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) estabeleceu medidas rigorosas para combater o uso irregular dos chamados chips da beleza. Esses implantes hormonais manipulados à base de esteroides anabolizantes ou hormônios androgênicos podem conter diversas substâncias como estradiol, testosterona, gestrinona, oxandrolona e outros esteroides androgênicos e anabolizantes (EAA). Por serem comumente usados em combinações de doses e vias que não foram testadas, não contam com garantia de segurança e eficácia. Assim, a Anvisa acabou restringindo esses implantes devido a relatos frequentes de complicações associadas.
Como funcionam
O chip, na verdade, consiste em um tubo bem pequeno e fino, feito de silicone, e é inserido no tecido subcutâneo, geralmente do glúteo, mas também do abdômen, dorso ou braço, colocado após uma anestesia local. A maioria desses implantes hormonais são compostos por gestrinona, associado com outros esteroides androgênicos, e são utilizados com a finalidade de promover o aumento de massa muscular, libido, disposição física e perda de gordura.
Essa substância é utilizada devido à sua capacidade de promover a redução da globulina de ligação de hormônios sexuais. Com isso, há um aumento da forma livre de testosterona e potencialização da ação muscular dos anabolizantes. Após a aplicação do chip da beleza, há liberação contínua de pequenas quantidades do hormônio na corrente sanguínea, processo que acontece durante meses ou até anos.
Riscos e efeitos colaterais
A grande maioria desses dispositivos não possui registro para comercialização adequada. Como todo medicamento ou intervenção similar, eles dependem da apresentação de dados de eficácia para uma liberação apropriada. O uso irregular aumenta a chance de ameaças à saúde, podendo trazer consequências indesejadas e outros efeitos colaterais como acne, aumento de oleosidade de pele, queda de cabelo, aumento de pelos, mudança de timbre da voz, clitoromegalia, resistência insulínica, hiperglicemia, aumento do risco de trombose, doenças do fígado como hepatite medicamentosa, insuficiência hepática aguda, distúrbios endócrinos, como infertilidade, disfunção erétil e diminuição de libido.
Os efeitos colaterais do “chip da beleza” são mais frequentes de acontecer em casos de não possuir indicação para o seu uso, causando um desequilíbrio hormonal. Além disso, usar o “chip da beleza” apenas para fins estéticos pode causar resistência à insulina, tendência para engordar e dificuldade para emagrecer, especialmente depois de 1 ano de uso desse tipo de implante.