Cochilar depois do almoço pode ajudar a recuperar as energias

Tirar um cochilo depois do almoço é um hábito comum na cultura brasileira. Logo após a refeição, muitas pessoas costumam sentir sono, graças a fatores como a quantidade de alimento consumida e o ciclo circadiano. Esse momento pode ajudar a recuperar as energias durante o dia, mas, em alguns casos, pode deixar a pessoa ainda mais cansada. Por isso, esse costume tem muitos adeptos, mas também há quem prefira tomar um café depois de comer e guardar o sono para a noite.

Sonolência depois da refeição

O principal fator que leva à sonolência depois do almoço é uma mudança no fluxo sanguíneo devido à alimentação. Depois de uma refeição maior, o sangue é direcionado para o aparelho digestivo, para ajudar na digestão. Além disso, alimentos como carboidratos refinados, frituras e carnes gordurosas intensificam a sonolência.

O ciclo circadiano também tem um papel importante nesse processo. Regulado por uma região do cérebro chamada núcleo supraquiasmático, esse ciclo funciona como um relógio biológico de 24 horas para diversas funções ao longo do dia, como sono, digestão e regulação de hormônios. Após o meio dia, o ciclo circadiano tende a reduzir um pouco o sinal de alerta do corpo, o que facilita a sonolência.

Quem dorme mal durante a noite pode ter essa sensação de sono exacerbada depois do almoço. Segundo o Prof. Dr. André Batista, médico do sono e docente do curso de Medicina da Faculdade Tiradentes (Fits), problemas na quantidade de horas dormidas e na qualidade do sono causam cansaço ao longo do dia. “A principal causa disso está relacionada a uma condição em que a pessoa dorme menos do que precisa, não por doença do sono, mas por escolha ou circunstância de vida”, diz. Sono fragmentado, por estresse, cafeína, ou apneia do sono, por exemplo, também causa esse cansaço diurno.

Cochilo pós-almoço

Nesse caso, o cochilo após o almoço é uma solução para o cansaço diurno, de acordo com André. O professor afirma que esse hábito tem benefícios comprovados, pois melhora a memória, o humor e o estado de alerta. “Mas há regras: O ideal é de 20 a 30 minutos, antes das 15h, aproveitando o ‘ciclo circadiano’ natural do período pós-almoço, resultando em uma recuperação sem aquela confusão ou pensamento lento ao acordar”, pontua André. 

O médico ressalta que cochilos mais longos, de 40 a 60 minutos, aumentam as chances de ter  pensamento lento e confusão ao acordar e também de comprometer o sono da noite. André alerta ainda que quem tem insônia crônica não deve cochilar. “O cochilo reduz a pressão biológica de sono acumulada ao longo do dia, justamente o que torna o adormecer à noite possível. Nesse contexto, cochilar perpetua a insônia”, esclarece.

FITS - Faculdade Tiradentes de Goiana

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