Aumento de casos de infarto entre jovens acende alerta para estilo de vida e hábitos alimentares saudáveis

A atenção para doenças cardíacas costuma aumentar com o avançar da idade, mas especialistas alertam que os mais jovens também precisam começar a se preocupar com a saúde do coração. Dados do Ministério da Saúde e do Instituto Nacional de Cardiologia mostram que o registro de casos de infarto em pessoas com menos de 30 anos subiu cerca de 10%. Esse número reflete uma incidência significativa e acima da média geral, considerando que o Brasil registra entre 300 e 400 mil casos de infarto por ano.

Segundo o Prof. Dr. Ryan Andrade, cardiologia e docente do curso de Medicina da Faculdade Tiradentes (Fits), os casos de infarto em jovens tendem a ser ainda mais graves do que entre os idosos. O médico explica que isso acontece porque, nos mais novos, as artérias sofrem interrupções intensas de fluxo em casos de infarto, o que gera quadro fulminantes. “Essa realidade está diretamente ligada a hábitos de vida, como sedentarismo e alimentação rica em alimentos ultraprocessados e industrializados. Outros fatores de risco incluem histórico familiar de doenças do coração e do colesterol, tabagismo e o surgimento mais precoce de algumas doenças como hipertensão e diabetes”, pontua.

Impactos da alimentação

Ryan destaca a dieta, em especial o consumo de ultraprocessados, como o principal fator para a ocorrência de infartos entre jovens. “Refrigerantes, macarrão instantâneo, biscoitos recheados e pratos prontos congelados passaram a ser incluídos na refeição e lanches de muitos jovens. Esses vilões podem até ser práticos para ingerir, porque já estão prontos, só que o custo à saúde é alto”, alerta.

O professor também chama a atenção para o alto teor de gorduras trans e saturadas nos alimentos ultraprocessados, além dos aditivos químicos. Essas substâncias elevam o LDL (colesterol ruim) e formam placas de gordura nas paredes das artérias. “Esse descontrole entre alimentos calóricos e baixa quantidade de fibras e nutrientes desregula o equilíbrio da glicose e insulina e permite o aparecimento de doenças metabólicas”, detalha Ryan.

“O consumo permanente de alimentos com alto índice glicêmico causa picos repetidos de insulina, hormônio que permite a entrada da glicose do sangue nas células para ser transformada em energia. A pessoa pode até nem perceber mas, aos poucos, as células começam a ficar resistentes à insulina, resultando no aumento dos níveis de açúcar no sangue. No caso do diabetes, triplica o risco de eventos cardíacos”, complementa Ryan.

O alto consumo de sal também é preocupante, segundo o cardiologista: o sódio retém líquidos e eleva a pressão do sangue contra as artérias. “Além disso, a obesidade infantil e juvenil pressiona o sistema circulatório, fazendo com que o coração bata com mais força, o que endurece as artérias precocemente”, diz.

Cuidados com a saúde

Em casos de infarto, o principal sintoma é a dor no peito, que pode irradiar para o braço esquerdo, pescoço, mandíbula e costas. Além disso, pode vir associada a náusea, vômitos, suor frio e falta de ar. “Caso o indivíduo sinta algum dos sintomas, a recomendação é procurar imediatamente uma unidade de urgência para atendimento precoce e investigação dessa dor”, aconselha o médico. Além disso, Ryan aconselha que quem apresenta fatores de risco deve procurar um cardiologista e fazer um acompanhamento clínico antes mesmo dos 40 anos, pois o diagnóstico precoce é fundamental para reduzir os riscos.

FITS - Faculdade Tiradentes de Goiana

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