Dia Mundial da Doença de Chagas relembra importância do diagnóstico precoce

O dia 14 de abril é lembrado como o Dia Mundial da Doença de Chagas. A data foi escolhida por ter sido o dia em que o médico Carlos Chagas diagnosticou a doença pela primeira vez, em 1909. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que mais de 7 milhões de pessoas no mundo têm a infecção, que é causada pelo protozoário Trypanosoma cruzi. Todos os anos, a doença causa mais de 10 mil mortes, mas é possível curá-la se o tratamento adequado for realizado nas fases iniciais.
Transmissão
A doença de Chagas costuma ser associada ao besouro conhecido como barbeiro, mas não é o inseto que causa a infecção. A maior parte das transmissões pelo T. cruzi acontecem, na verdade, pelas fezes infectadas do besouro. O barbeiro contrai o protozoário causador da doença ao sugar o sangue de animais como gambás ou roedores pequenos. Depois, ele acaba depositando as fezes, ao picar um humano, que acaba coçando o local, fazendo com que o parasita entre na ferida. A infecção também pode ser transmitida por meio de alimentos contaminados, transfusão de sangue ou órgãos, ou da mãe para o filho durante a gravidez ou parto.
Fases e sintomas
Após a contaminação pelo protozoário, a doença se apresenta em duas fases: fase aguda e fase crônica. A primeira acontece logo depois do tempo de incubação, que geralmente é de 5 a 14 dias depois da infecção. Nessa fase, os sintomas incluem febre por mais de 7 dias, dor de cabeça e muscular, fraqueza intensa, inchaço pelo corpo, mal estar e inflamação nos gânglios. Também é comum lesões na pele ou inchaço nos olhos, conhecido como sinal de Romaña. No entanto, alguns casos são assintomáticos.
Passada a fase aguda, que dura cerca de dois meses, os sintomas desaparecem, cerca de 60% dos infectados, segundo a Fiocruz, ficam sem sintomas. Nos demais casos, os parasitas ainda se encontram alojados no coração e no sistema digestivo, evoluindo para a fase crônica. Nessa situação, os novos sintomas surgem apenas de 10 a 30 anos depois da infecção pelo T. cruzi, com flacidez da musculatura dos órgãos atingidos. Como consequência, existem complicações gravíssimas: um aumento irreversível do coração (cardiopatia chagásica), do intestino ou do esôfago.
Diagnóstico e tratamento
O diagnóstico é feito por meio de exames de sangue, e deve ser feito principalmente por pessoas com sintomas e que moram em regiões endêmicas da doença. Se descoberta e tratada ainda na fase aguda, a infecção pode ser curada. No entanto, quanto mais tempo demora para se iniciar o tratamento, menos chances de sucesso. O tratamento é feito por meio de medicamentos que matam o protozoário causador da doença. Além disso, é necessário realizar acompanhamentos cardíacos, digestivos e até mesmo neurológicos por toda a vida.