Transtorno do Espectro Autista requer cuidados multidisciplinares

O censo demográfico realizado em 2022 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mapeou 2,4 milhões de pessoas com diagnóstico do Transtorno do Espectro Autista (TEA). Em relação à faixa etária, a maior prevalência é entre crianças de 5 a 9 anos de idade (2,6%), o que pode ser explicado por um maior acesso a informações sobre o TEA nos últimos anos. Mesmo assim, ainda existem muitos estigmas voltados à parcela da população com o transtorno. Por isso, o dia 2 de abril é lembrado como o Dia Mundial de Conscientização do Autismo, data instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 2007.

Avanços na neurociência

A Profª M.a. Giedra Marinho, docente do curso de Psicologia do Centro Universitário Tiradentes – UNIT, explica que, apesar de haver muitas discussões sobre o TEA atualmente, o transtorno sempre existiu. “Ele era mascarado e considerado uma doença psiquiátrica. Mas, com o avanço da neurociência, hoje temos condições de mapear no cérebro quais são as áreas afetadas”, pontua.

Além disso, a reorganização da descrição do TEA na Classificação Internacional de Doenças (CID-11) da Organização Mundial da Saúde (OMS), feita em 2022, contribuiu para uma melhora no processo de diagnóstico. Segundo Giedra, essa é a importância da data: trazer conscientização sobre o assunto e quebrar preconceitos relacionados ao transtorno. “Vemos também adultos que demoram a ter um diagnóstico, porque não existia na sua época. Então, quando levam um filho, um sobrinho, um familiar para fazer as avaliações, eles começam a se perceber”, afirma.

Hoje em dia, a ciência já mostra que o TEA acontece devido a diferentes níveis de desenvolvimento neurológico em duas principais áreas do cérebro: o córtex pré-frontal (CPF) e o sistema límbico. “No CPF, está a maior parte das funções executivas, como memória, concentração, linguagem, a parte motora, de tomada de decisão, controle inibitório e flexibilidade cognitiva. Já o sistema límbico é o grande responsável pela gestão emocional, e grande parte dos pacientes com TEA têm muita dificuldade nisso”, Giedra detalha.  

Sinais e tratamento

Como consequência, quem está no espectro apresenta sinais relacionados a questões como cognição, linguagem, aspectos sociais e emocionais. “Existe o TEA nos níveis 1, 2 e 3, que vai crescendo gradativamente de acordo com dificuldades de linguagem, de expressão, de habilidades sociais, de controle inibitório, e também questões relacionadas à impulsividade. Então, vai desde dificuldades na fala, na interação social, de esperar a sua vez, a dificuldade de controle inibitório, de lidar com a raiva”, Giedra exemplifica.

Devido à complexidade do TEA, o tratamento deve ser realizado por uma equipe multidisciplinar, com psicólogos, médicos, terapeutas ocupacionais e fonoaudiólogos, por exemplo. “Todos eles podem fazer especialização em ABA, que hoje é a metodologia que mais tem eficácia comprovada cientificamente no tratamento do TEA. A ABA é a sigla de ‘Análise Aplicada do Comportamento’, em inglês. São uma série de técnicas, métodos e instrumentos que fazem parte da ciência do comportamento”, diz Giedra, que é especialista em ABA.

Apoio à família

Além dos cuidados com os pacientes com TEA, a professora chama atenção para a família, que também é importante no tratamento. “Existe um artigo muito interessante falando sobre a síndrome de burnout na ABA, que é uma exaustão física e mental nas famílias, terapeutas e na própria criança submetida a muitas terapias. Então, tem que haver um olhar acolhedor, de orientação e de suporte para esses pais”, comenta.

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