Dia Mundial da Obesidade acende alerta para cuidado com a saúde

O Dia Mundial da Obesidade, que cai no dia 4 de março, traz luz para uma das doenças crônicas que mais trazem complicações para a saúde. Um paciente é considerado com obesidade quando o Índice de Massa Corporal (IMC) é maior ou igual a 30 kg/m2. Com diversos fatores envolvidos, a obesidade é um problema de saúde complexo e que é fator de risco para várias outras doenças crônicas não transmissíveis (DCNTs). A obesidade é motivo de preocupação para a Organização Mundial da Saúde (OMS), que prevê que, até 2035, metade da população mundial pode viver com sobrepeso e obesidade.
Causas e papel da alimentação
Em geral, a obesidade surge por um desequilíbrio calórico, em que um indivíduo consome mais calorias do que gasta. Mas, na verdade, a doença surge pela combinação de alguns fatores, segundo a Profª M.a. Tâmara Gomes, docente do curso de Nutrição do Centro Universitário Tiradentes – UNIT. “A alimentação sozinha dificilmente vai apresentar uma manifestação de obesidade importante. A genética, o sedentarismo e questões psicológicas também influenciam nesse processo, além da alimentação”, explica.
No que diz respeito à dieta, a professora destaca que o consumo de alimentos ultraprocessados tem um papel fundamental no desenvolvimento da obesidade. Tâmara pontua que comidas industrializadas, com muitos ingredientes, contribuem para o acúmulo de gordura no corpo. “Na natureza, não existe um alimento que seja fonte de muito açúcar e de muita gordura, mas a indústria fez isso para tornar aquele alimento mais palatável, mais saboroso. E o alimento, quando muito saboroso, traz um prazer imediato e as pessoas querem aquele prazer imediato”, acrescenta.
Complicações
Como consequência da obesidade, o paciente pode desenvolver outras DCNTs, como diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares, hipertensão, acidente vascular cerebral (AVC) e várias formas de câncer. “A distribuição da gordura no corpo influencia a gravidade da doença. Mais gordura na região abdominal, por exemplo, é mais danosa, traz mais inflamação e prejuízos a órgãos como fígado e coração”, complementa Tâmara. Ela também aponta outras complicações, como doenças articulares, doenças inflamatórias, como doenças de pele, questões respiratórias, como a apneia do sono, além de riscos para a saúde mental.
Plano alimentar individualizado
Por se tratar de uma doença multifatorial, o tratamento deve envolver a ação de diversos profissionais. No campo da Nutrição, Tâmara afirma que o ideal é pensar em um plano alimentar a longo prazo e que não seja muito restritivo. “Se um paciente consome mais de três mil calorias diárias e o nutricionista prescreve uma dieta de 1.200 calorias, o paciente não vai conseguir fazer. Por conta dessa restrição, o indivíduo pode até desenvolver uma compulsão alimentar”, enfatiza. Assim, a dieta deve ser bem pensada e incluir alimentos que o paciente goste, para mantê-lo motivado.